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Sociedade Musical de Cascais
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História Nos últimos anos da Monarquia, a sociedade Portuguesa encontrava-se profundamente dividida em duas tendências políticas: de um lado estavam os Monárquicos e do outro os Republicanos. Esta divisão era evidente em todos os sectores da vida nacional, provocando rupturas entre grupos e cisões nas colectividades. Prova esta, que naquela época existia a Associação Humanitária Recreativa Cascaense (hoje Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cascais), a qual os seus dirigentes eram quase todos Monárquicos, e assim viram reduzir o número de músicos da sua banda, à medida que se acentuavam as discussões travadas à volta do binómio Monarquia / República.
Reunindo-se em "A Moderna", que era uma casa de café e jogos de sala, (onde hoje se encontra o Restaurante Alaúde, no largo Luís de Camões), os músicos dissidentes da Associação fundaram em 11 de Maio de 1914, a Sociedade Musical de Cascais, contando entre os seus fundadores: António José Duarte (o Ginja), Joaquim Duarte, António Augusto Rodrigues, António Luís Afonso Vilar, Evaristo Afonso Vilar, os irmãos José João e Eugénio das Neves, António Castela, Eugénio Bernardino de Assunção, Miguel dos Reis, José Pinto e seu pai Lino Pinto, José da Silva Félix, Domingos Costa Pinto, Álvaro Ferreira, Henrique Corofet, Augusto Coimbra, Augusto Silva e Carlos Caixa.
Ao ter conhecimento da fundação desta Sociedade, Fausto Cardoso de Figueiredo - o Criador do Estoril - prontificou-se a oferecer os fardamentos para a nova Banda de Música. José Jorge de Carvalho, na altura Tesoureiro da C.M.C., de parceria com o seu compadre Ernesto Arruda, funcionário das Finanças de Cascais, oferecera os bonés. Os instrumentos foram adquiridos a prestações, tendo ficado como fiador o grande músico amador e comerciante de profissão Domingos da Costa Pinto.
A Primeira Sede desta Sociedade foi no primeiro andar do prédio de José Paulo Mendonça, sito na rua dos Navegantes, por cima da Mercearia Paulo Mendonça (em frente da Igreja dos Navegantes). Ali se organizavam grandiosos bailes, sendo os ensaios da Banda, que teve como primeiro regente o Sargento da Marinha, o Sr. Francisco Matos, organizados num barracão, sito na Av. D. Carlos I a que chamava de Baluarte Terrasse. No local onde hoje se encontra a bonita vivenda do Conde de Monte Real.
Os primeiros concertos musicais realizaram-se no jardim da parada, actual Jardim Costa Pinto, onde existia um belo coreto em ferro que se encontrava por cima de um lindo e grande lago com muitos cisnes.
Poucos anos depois o grupo Dramático e Sportivo de Cascais, transfere a sua sede para outro local e é a Sociedade Musical de Cascais que vai ocupar o imóvel devoluto, sito na praça Costa Pinto, na área onde hoje está implantado o Hotel Baía.
Uma vez instalada na nova sede, a S.M.C., aproveitando as condições que aquele imóvel oferecia, criou uma secção de teatro, um orfeão, e ali se levou à cena inúmeras Revistas, Comédias, Operetas, encenadas quase na totalidade pelo distinto músico Mário Clarel, que com o seu saber e esforço deu a esta Sociedade os maiores sucessos.
Para além da Secção cultural, havia também a parte puramente recreativa, tendo sido organizadas várias excursões pelo país fora, deslocando-se a Banda de Música e os Associados em comboios, até ao Porto e Figueira da Foz, onde havia grande festa à sua chegada.
Foram grandes anos de festas... Mas, ao lado da glória e da alegria moram o infortúnio e a desgraça.
Portanto, de um momento par o outro, tudo pode virar e as coisas ficam diferentes... e esta Sociedade Musical entra em declínio em 1944 após a C.M.C. decidir demolir a sede da Musical para ali dar lugar à nova Avenida Marginal, tendo nessa altura sido derrubado o velho casario ribeirinho de Cascais, vítima do Camartelo e da inconsciência dos tecnocratas de então da nossa autarquia que não quiseram saber nem ouvir ninguém.
A demolição total da S.M.C. causou graves danos a esta colectividade, que assim se viu desmantelada, sem sede e onde os seus pertences foram guardados em vários locais da Vila.
Assim acabou a Sociedade Musical de Cascais.
Em 24 de Março de 1956, onze anos depois, um punhado de Cascaenses tenta desenterrar e reanimar a S.M.C. Dirigem-se ao jornal "A Nossa Terra", no tempo dirigido por João Martinho de Freitas, pedindo que se constituísse uma Comissão com vista a fazer ressurgir a Sociedade Musical de Cascais, tendo o Director daquele jornal aceite a ideia e assim foi feita a comissão pelos Srs. João Martinho de Freitas, Manuel Acácio Pereira Lourenço, D. José de Avilez, Norberto Ferreira dos Reis, Dr. José Rodrigues Duarte, Francisco Afonso Vila, Jorge Lourenço, tendo como locutor junto do público o Jornal "A Nossa terra".
Logo foi feita e chamado os antigos sócios e músicos, um pedido de angariação de fundos, etc. tendo o associado José Nunes Ereira posto à disposição o edifício do antigo Grémio da Lavoura e do Comércio de Cascais, na Rua Visconde da Luz para fazer ali a sede desta Sociedade. Comprados que foram os novos instrumentos, novos fardamentos, etc., no dia 11 de Março de 1958, quarenta e quatro anos após a sua fundação, a Sociedade Musical de Cascais estreou a sua Banda de Música com cerca de quarenta elementos, sendo chefiada pelo maestro Carlos Saraiva.
Enquanto isto foi solicitada à Câmara Municipal de Cascais a construção de uma nova sede própria e com instalações apropriadas para as actividades da colectividade, tendo o Presidente da Edilidade cedido um terreno para o efeito, mas a título precário, devendo a sede ser construída num prazo de cinco anos.
O terreno era aquele onde hoje está instalada a Caixa Geral de Depósitos, na Av. 25 de Abril. Aconteceu que para o local havia um projecto de passagem subterrânea para o mercado pelo que a construção da Sede não poderia iniciar-se sem o MOP colocar os alicerces e aprovar os cálculos de estabilidade.
Enquanto se esperava pelo andamento das obras a cargo do MOP, atingiram-se os cinco anos e o terreno voltou à posse da Câmara que o venderia, dando o dinheiro à Musical para ela construir a sede noutro local.
Assim, a Câmara vende o terreno por cinco mil contos, que antes tinha sido avaliado por duzentos contos.
E novamente, a partir desta data, começa a haver inconsciência dos autarcas em relação à Musical, pois a diferença de 4.800 contos realizados nesta venda pela C.M.C. são pertença desta Sociedade cujos dirigentes pretendem exigir da edilidade para a construção de uma nova sede.
Entretanto, a sede onde está instalada a Musical passa a ser propriedade da Câmara e a Edilidade manda elaborar um projecto para nela construir a sede as Sociedade Musical de Cascais. Tudo de vento em popa.
Entretanto o prédio em causa vai-se arruinando, obrigando esta Sociedade a pedir à Câmara o r/ chão do bloco D2 da Urbanização J. Pimenta e propriedade também da Câmara, até estarem concluídas as obras do prédio da Rua Visconde da Luz.
A obra faz-se e dá-se o que não se previa. A Câmara vende o r/chão à Junta de Turismo, sem a Musical saber e ainda retira a esta sociedade um andar, ficando a colectividade a dispor de um só piso dos três que foram construídos. Vêm-se então os dirigentes da Musical na obrigação de encostarem os autarcas à parede, dizendo... ou eles nos dão o r/ chão e o primeiro andar no edifício da Urbanização J. Pimenta, ou então serão entregues à Câmara os fardamentos, instrumentos e demais apetrechos, com grande alarido na imprensa local e nacional, televisão e rádio.
Foi a única maneira de esta sociedade ter um sede própria. Assim, em 1989 é feita a escritura da sede em direito de superfície, entre a Câmara e a Musical.
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Grupos
-Rancho Adulto imagem -Rancho Infantil Imagem -Orquestra Popular de Cascais ![]() -Banda da Musical
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